A Associação Mineira de Arquivistas (AMARQ) vem a público manifestar sua profunda preocupação com a instalação de um galpão de triagem de materiais recicláveis ao lado do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (APCBH), na Rua Itambé, bairro Floresta.
A iniciativa foi realizada pela Prefeitura de Belo Horizonte com o objetivo de que um grupo de catadores tivesse um espaço adequado para realizar a triagem de materiais recicláveis de maneira segura e confortável. No entanto, o local escolhido para a instalação do espaço não foi uma escolha assertiva da administração municipal.
O APCBH é responsável pela custódia de documentos de guarda permanente que preservam a memória, a identidade e os direitos da população de Belo Horizonte.
Dotados de valor informativo e probatório, esses documentos são fundamentais para a garantia de direitos, transparência pública, pesquisa e ações judiciais.
A instalação de um galpão de triagem de materiais recicláveis, parede com parede com o APCBH, ameaça diretamente:
A preservação do acervo histórico da cidade;
A saúde e segurança dos agentes públicos e usuários;
A estabilidade de uma política pública arquivística construída há décadas.
Riscos como incêndios, infestação por roedores e insetos, insalubridade e insegurança no entorno já foram enfrentados anteriormente. Agora, podem se intensificar de forma irreversível!
A tentativa de solucionar uma questão social não pode resultar no apagamento de uma política pública de tamanha importância. Os catadores de material reciclável têm direito a condições dignas de trabalho, mas a escolha do local deve ser pautada pela responsabilidade social e pela proteção das políticas públicas existentes.
A AMARQ reafirma seu compromisso com a defesa dos arquivos públicos e com o fortalecimento da arquivologia como campo estratégico para a democracia. A preservação do APCBH é, portanto, uma causa coletiva, que diz respeito a toda a sociedade.
Arquivo não é depósito: é história, prova e cidadania!
A proteção do APCBH é uma causa que diz respeito a toda a sociedade. Precisamos estar atentos e mobilizados em defesa da memória de nossa cidade.